9.7.09 | seu aleixo

Todos os dias faço o mesmo trajeto casa/trabalho, trabalho/casa, pelo menos 4x, pois almoço em casa... E todos os dias vejo o "Seu Aleixo", ou "Vô Aleixo", que na verdade não sei o nome, apenas criei um modo simpático de me referir a ele. O vô está todos os dias, às 8h, no mesmíssimo local, mas já houve dias que passei mais cedo e ele não estava ali, ou seja, ele não dorme na rua, ele vai para aquele local todos os dias, é aquele hábito que não largamos.

E na hora do almoço ele está em outro local, invariavelmente, mas na mesma rua... Ele só anda umas duas quadras. Nesse dia-a-dia o vô recebe picolé do tio que passa com o carrinho, ganha mexerica da dupla que vende no carrinho de mão, na esquina da papelaria... Ganha café dos guardadores de carro do segundo ponto fixo dele... E ganha minha atenção a cada vez que me diz: "Me dá uma ajudinha, minha filha?"

São situações automáticas, ele lá, ele acolá, ele pedindo a ajudinha, que é sempre dessa mesma forma, sem mudar pontuação. O vô está bem velhinho, anda encurvado, sustentando o banquinho de madeira, de 30 cm de altura no máximo, no qual ele senta no primeiro ponto fixo.

Já dei o copo de café que tinha comprado na padaria em um dia de atraso. Já dei trocado... Já ignorei um tanto de vezes aquele pedido repetitivo, porque muitas vezes não tinha o que dar. Ainda assim o vô Aleixo está ali. Já questionei quem cuida dele e me preocupei quando ele sumiu dois dias. Devia estar doente. Me compadeci quando o vi caminhando para o segundo ponto fixo todo cagado, fedendo e as pessoas desviando dele na calçada...

Vô Aleixo escolheu estar por conta própria. Escolheu a liberdade da rua, sem levar em conta o quanto pode ser cruel essa vida, ou levando em conta e abraçando isso mesmo assim. E por mais que ele esteja sujo, mendigando uma ajuda, ele ainda mantém um ar tão sereno que me faz viajar no que ele pode estar pensando. O que preocupa o vô? Eu gostaria de ter tempo para sentar e conversar.

Ele não sabe, mas ele faz parte da minha vida.

8.7.09 | como nossos pais

"O que iremos deixar para nossos filhos? O que deixaremos para as próximas gerações?"

Esse tipo de pergunta sempre me deixou intrigada. É o tipo de questionamento que fazemos quando queremos fazer pouco ou nada a respeito. Reclamamos do efeito estufa, do aquecimento global, da quantidade de lixo nas ruas, das inundações, de tudo que achamos que será um péssimo legado aos próximos homens. E ao mesmo tempo não separamos nosso lixo, tomamos banho com o chuveiro ligado a toda, não compramos eletrodomésticos econômicos, não temos uma atitude ecologicamente saudável. Tem quem se orgulhe de não jogar lixo na rua, mas ao mesmo tempo usa desodorante com cfc, não aproveita tudo que pode de um alimento (cascas e talos podem virar pratos super gostosos), não faz revisão veicular...

Esses dias li em algum lugar a seguinte pergunta: "Que filhos deixaremos para o futuro?"

É por aí. De que adianta "nos preocuparmos" com o futuro e não nos preocuparmos com o básico, a educação daqueles que irão herdar tudo isso? De que adianta EU tomar um banho que economize água, se deixo meu filho ficar brincando de piscininha no banheiro, porque assim o moleque fica lá, distraído, enquanto eu posso fazer o que bem entender. O que essa criança tá aprendendo? Que água pode ser desperdiçada. Nesse caminhos seguimos, sem formar uma nova consciência. E será esse o futuro?

Belchior traduziu muito bem esse comportamento:

Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que eu tô por fora ou então que eu tô inventando...

Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem...

Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude
Tá em casa guardado por Deus contando vil metal...

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos, ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais...

Podemos mudar?

6.7.09 | são suas escolhas

Uma pessoa conhecida me enviou e-mail semana passada, com várias pessoas no campo "para", e em tom de desabafo, dizia o quanto não tinha sido ouvida, o quanto não tinha recebido atenção nessa vida, o quanto se sente perseguida... E ao fim se despedia deixando entender que recorreria ao suicídio. Essa mesma pessoa já tinha feito o mesmo ano passado, sem ter cometido tal ato.

Quem me conhece sabe minha visão acerca de suicídio. Sou contra, tento ao máximo dar atenção a quem percebo que possa estar em uma situação muito ruim, que possa gerar esse tipo de pensamento, que compreendo ser fruto apenas de desespero. A dificuldade de enxergar a luz lá na frente, a impossibilidade de acreditar na próxima curva da estrada...

Mas existe uma enorme diferença entre quem realmente tem um problema que cria essa "cegueira momentânea" e aquele que usa o "suicídio" como ameaça, as palavras como forma de conseguir uma atenção quase que exclusiva. E esse é o caso da pessoa conhecida.

Ela conseguiu minha atenção, ainda mais que hoje enviou mais um e-mail, ou seja, não se matou e continua usando isso. Só que além de conseguir minha atenção ela também conseguiu acabar com minha paciência quanto a isso. Se tem uma coisa nessa vida que eu acredito - e isso deixei claro no reply que dei - é que atenção nós conquistamos, com boas ações, com franqueza, com verdade.

Quando conseguimos atenção das pessoas pelo simples fato de sermos um problema ambulante, essa atenção vai acabar. É que problemas tendem a acabar, somos criados, educados e caminhamos para superar. Superar limites e problemas, seja do tamanho que forem. Quando simplesmente escolhemos por não superar, essa atenção não pode mais ser exclusiva, pois todos na vida temos problemas.

Fazemos escolhas todos os dias. Qual sapato usar, qual rua seguir, o que comer, o que falar, viver ou morrer. Eu escolho viver todos os dias, matando ou não leões. Se alguém escolhe morrer, eu posso não concordar, mas também não posso fazer mais que respeitar. A vida não é minha. Quando é a minha, eu sei cuidar.

2.7.09 | elétrica!

Hoje acordei animada, apesar de um sono continuar aqui, enchendo os pacová. Vamos animar?



Acho que a coreografia não tem nada a ver com a música, mas por uma mágica surreal, funciona. E tem uma pá de videos assim no Youtube. Acho que essa será a música do dia. E NOT, I'm NOT a single lady! rs

25.6.09 | Eu apoio

Eu acho que jamais uma política dessa dará certo, em se tratando de internet. Assim como também não acredito muito em mobilizações que começam na internet, a não ser quando se trata de festa... Mas em liberdade de expressão eu sempre acredito e defendo, então:



Sobre o assunto, leia aqui.

E aproveitando o gancho, liberdade de expressão eu defendo inclusive fora do meu país. O governo do Teerã autorizou que sua polícia vasculhe blogs e twitters, em busca de cidadãos que "desrespeitem" o país - leia-se: falem toda e qualquer verdade sobre os abusos do sistema que sofrem - e assim que descobertos, suas ações são monitoradas, os serviços bloqueados. A mobilização que peço a quem lê esse humilde blog é que atualizem as timezones, colocando como padrão Tehran. Assim essa "busca" será bem mais complicada. Eu já atualizei a minha.

19.6.09 | sobre ser sem reclamar

Quando eu estava com 16 anos, ia fazer faculdade de "Comunicação Social". No máximo "Direito", curso que faço agora, aos 32. Mas quando estava a um passo de me inscrever, meu pai me chamou pra sentar e conversar. E disse algo que jamais vou esquecer: "faça o que você gosta. Se for boa nisso, vai ter sucesso". E naquela época eu só gostava de desenhar e por isso fiz Artes Plásticas. Meu pai é um cara foda, de visão.

Eu ando acompanhando notícias muito mal, porque estou no meio do olho do furacão, cheia de trabalho no escritório, cheia de trabalhos e provas na faculdade... Mas percebi o chororô no twitter e em alguns outros meios sobre o fim da necessidade de diploma para a profissão de jornalista. Eu sou formada em artes plásticas, mas trabalhei como publiciotária, webdesigner e agora meu foco é o puro design. Se meu diploma contou nisso? Não sei dizer ao certo, aprendi muita coisa boa na faculdade, mas posso afirmar com certeza que foi 20% de tudo que precisei até hoje para chegar onde estou.

Jornalista precisa de diploma? Não sei também. Eu acho que precisa é estar sempre ligado, atuando, se comprometendo com o melhor - tanto na pesquisa, quanto no texto, na abordagem, na forma de "gerar conteúdo". Hoje em dia leio jornais, revistas, vejo tv e a quantidade de gente despreparada me assusta. Mas isso não é só nessa área, o Brasil tem virado "produto paraguaio" em muitos aspectos profissionais. Falta educação de qualidade em todos os setores e mais: pessoas com vontade de serem bons profissionais. Um canudo de papel não é a garantia de ter o melhor no "front". Vejo muitos colegas de faculdade empurrando o curso, eu mesma já fiz muito isso. E já vi muita gente com diploma universitário provando que esse mesmo diploma não passa do que realmente é: um papel.

Papel por papel, assuma seu papel.

9.6.09 | Eu? Louca? Imagina!

Tanto tempo que não posto meus diálogos totalmente sãos com o Alvim:

Alvaro: hj é dia do porteiro
me: uia
Alvaro: se encontrar algum, leve-o pra almoçar
ok ?
me: ok, meu prédio não tem porteiro
fail..
Alvaro: :O
meu deus
acho que o mais correto então é levar qualquer paraiba vendedor de rede que voce encontrar na rua
me: HAuahUAHuaHUAhuHAuaUAhuhUA

2.6.09 | Ainda clipando

Coluna Mídia & Mercado, Folha Vitória, 02/06/2009

Maurício Prates, 02/06/2009

Coluna Zig Zag, 02/06/2009

Feliz, muito feliz!

1.6.09 | Reconhecimento, sempre bom.

Jornal A Gazeta, 01/06/2009, Página 14.

29.5.09 | Trabalho bom sempre rende coisas boas

A maior gráfica aqui do ES, a GSA, realizou uma premiação ontem: Prêmio de Incentivo à Criatividade na Produção Gráfica.

Nós da Indesign (eu e minha sócia, Flávia Carvalhinho) inscrevemos ao todo 6 peças. Ontem nós ganhamos prata e ouro na categoria Institucional. E ganhamos o Grand Prix da noite! Duas passagens para Alemanha, para conhecer a Heidelberg, uma das maiores empresas fornecedoras de máquinas para a indústria gráfica no mundo.

Estamos felizes demais!!! Algumas fotos:

Momento da premiação do Grand Prix

Nossos troféus!

Convite da festa da coluna Mauricio Prates, prêmio PRATA

Caixa - Catálogo Emar Batalha, GRANDE PREMIADA DA NOITE - OURO E GRAND PRIX

UPDATE - FOTOS MELHORES!


Mais fotos: Folha Vitória

Hoje eu posso dizer que tudo que acontece nessa vida é para MELHOR, sempre. E que trabalho bem feito, defendido e elaborado não só pro cliente, mas pros clientes do cliente, pro mercado e pra nossa satisfação são os que eu amo fazer.

Eu não tô cabendo em mim de tanta felicidade. Nem é pelo prêmio em si, que é maravilhoso. Mas por ver que eu caminhei até aqui e não foi em vão. Que eu posso caminhar muito mais e eu vou em frente, SEMPRE.